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O Google está mudando a forma como o hóspede encontra hotéis. E isso já chegou ao Brasil

  • Foto do escritor: Sueli Silva
    Sueli Silva
  • 20 de abr.
  • 4 min de leitura

Nos últimos meses, o Google vem redesenhando silenciosamente a forma como as pessoas encontram hotéis na internet. Não é uma atualização de algoritmo como as que o setor já conhece. É uma mudança estrutural na experiência de busca, e ela tem nome: Google AI Mode.


Para quem trabalha com hotelaria, entender o que está acontecendo não é opcional. É uma questão de saber se o seu hotel vai continuar sendo encontrado nos próximos anos ou vai depender cada vez mais de intermediários para existir digitalmente.


O que é o Google AI Mode e como ele funciona para viagens


O Google AI Mode é a nova camada de inteligência artificial integrada diretamente ao motor de busca do Google. Em vez de devolver uma lista de links para o usuário filtrar, ele interpreta a intenção por trás da pesquisa e entrega uma resposta elaborada, com recomendações, comparações, fotos, avaliações e, em breve, a possibilidade de concluir uma reserva sem sair do Google.


A diferença em relação ao que existia antes é significativa. Quando alguém digitava "hotel para família em Gramado", o Google mostrava links. O usuário clicava, comparava, voltava, clicava de novo. Hoje, com o AI Mode, o Google já entrega uma síntese: hotéis selecionados, com os atributos que correspondem à intenção da busca, organizados de forma conversacional.


O anúncio formal desta mudança para o setor de viagens aconteceu em novembro de 2025, quando o Google revelou que estava desenvolvendo ferramentas agênticas de reserva em parceria com Booking.com, Expedia, Marriott International, IHG Hotels e Wyndham Hotels. A ambição declarada foi transformar o AI Mode num hub completo de planejamento e reserva de viagens, onde o usuário descreve o que quer e a IA cuida do restante.


O que já está disponível no Brasil


É importante separar o que já chegou do que ainda está em desenvolvimento, porque essa distinção importa para o hoteleiro tomar decisões no momento certo.


O que já está disponível no Brasil é a ferramenta Flight Deals, que usa linguagem natural para encontrar ofertas de voos. Em novembro de 2025, o Google expandiu essa ferramenta para mais de 200 países e territórios, com suporte a mais de 60 idiomas, incluindo o português. O brasileiro já pode descrever uma viagem em linguagem natural e receber sugestões de voos organizadas por IA.


A reserva direta de hotéis dentro do AI Mode ainda está em fase de desenvolvimento e implantação com os parceiros internacionais. A funcionalidade agêntica completa, aquela em que o usuário fecha a reserva sem sair do Google, ainda não está disponível para o público geral no Brasil.


Mas o mecanismo que vai decidir quais hotéis serão recomendados quando isso chegar já está funcionando. E ele lê o que existe hoje no seu site, no seu Google Meu Negócio e em tudo que a internet sabe sobre o seu hotel.


As grandes redes já se moveram


O que chama atenção não é apenas a tecnologia em si, mas a velocidade com que as grandes cadeias reagiram.


A Marriott foi a primeira rede a confirmar publicamente, em fevereiro de 2026, que está construindo uma integração para processar reservas diretamente dentro do Google AI Mode, sem redirecionar o hóspede para uma OTA. O CEO Anthony Capuano deixou claro durante o earnings call do quarto trimestre que a reserva será processada dentro da experiência de IA, não fora dela.


A IHG tomou um caminho diferente, mas igualmente revelador. A rede reestruturou toda a sua infraestrutura de dados para tornar as informações dos hotéis legíveis por máquina, criando o que chamaram de plataforma de conteúdo digital compatível com IA. Em termos simples: reorganizaram tudo para que os agentes de IA consigam ler, entender e recomendar seus hotéis com precisão.


A Wyndham foi além e conectou seus dados diretamente ao ChatGPT e ao Claude, da Anthropic, além de integrar o Google AI Mode. O CEO Geoff Ballotti foi direto ao ponto: o foco é gerar mais reservas diretas.


O padrão é claro. As redes que lideram o setor não estão esperando para ver. Estão garantindo presença no canal onde a decisão de reserva vai acontecer.


O que isso significa para hotéis independentes e pousadas

A primeira reação de muitos hoteleiros ao ouvir isso é pensar que se trata de um movimento das grandes redes, distante da realidade de uma pousada em Campos do Jordão ou de um hotel boutique em Indaiatuba.


Essa leitura é equivocada, e por um motivo que especialistas do setor têm destacado com consistência: hotéis independentes têm uma agilidade que as grandes redes não têm. Uma rede internacional precisa passar por comitês, equipes jurídicas e processos de aprovação que levam meses. Um hotel independente pode tomar decisões e implementar mudanças agora.


O que a IA precisa para recomendar um hotel não é tamanho. É informação estruturada, verificável e consistente. É um site que responde às perguntas que o hóspede faz antes de reservar. É um Google Meu Negócio completo, com fotos atualizadas, categorias corretas e avaliações respondidas.


É conteúdo que descreve o hotel com precisão e especificidade, não com frases genéricas que poderiam descrever qualquer propriedade do país.

Esses elementos não são exclusividade de grandes redes. São decisões de estratégia digital que qualquer hotel pode tomar, independentemente do porte.


A fundação que define quem vai ser recomendado

Existe uma lógica que atravessa todas as mudanças que o Google vem implementando, seja no SEO tradicional, no SGE ou agora no AI Mode: a IA recomenda o que ela consegue entender. E ela entende o que está bem estruturado, bem descrito e bem verificado em múltiplas fontes.


O hotel que tem um site com dados estruturados corretos, descrições específicas de cada acomodação, perguntas frequentes respondidas com clareza, perfil do Google Meu Negócio completo e avaliações gerenciadas com cuidado já está construindo a fundação que vai determinar sua visibilidade no AI Mode quando ele chegar com força ao Brasil.



O hotel que ainda tem um site genérico, aquele modelo padrão entregue como bônus pelo fornecedor do motor de reservas, sem identidade própria e sem conteúdo otimizado, vai continuar dependendo das OTAs para ser encontrado. Só que agora as OTAs também já estão dentro do Google AI Mode, garantindo que a comissão continue sendo cobrada mesmo no novo canal.


A mudança está acontecendo. O que cada hoteleiro decide fazer agora vai determinar em qual lado dessa mudança o seu hotel vai estar.


Sueli Silva é consultora especializada em SEO para hotéis e pousadas, com mais de 25 anos de experiência em marketing hoteleiro. Atende hotéis em todo o Brasil com foco em reservas diretas e redução de dependência de OTAs.

consultorseoparahoteis.com.br | WhatsApp (19) 99808-6433

 
 
 

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